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[30.3.2007] Web, da utopia aos dias de hoje
Nos seus primeiros tempos, a Web prometia ser a forma mais democrática de disponibilizar e consultar informação.
Antes do aparecimento da Web, para se saber um contacto precisávamos de consultar as páginas amarelas.
Ou para conhecer novos restaurantes precisávamos de comprar um guia. Para nos informarmos precisávamos de comprar um jornal ou ouvir o rádio.
O aparecimento da Internet, e a Web em particular, fez-nos acreditar que não mais precisaríamos de intermediários – as páginas amarelas, o guia de restaurantes, o jornal – e poderíamos passar a ir directamente à ``fonte'' da informação.
Quer queiramos ou não, ser intermediário tem poder. O poder de divulgar melhor um contacto ou um restaurante. Poder esse que se pode converter em receitas, cativando publicidade de quem estiver disposto a investir para ser mais conhecido.
Esta lógica sempre foi contrária aos pequenos, sem capacidade para investir.
A Web prometia o contrário. Seja grande ou pequeno, basta ter um site na Web pois poderemos sempre ser encontrados.
Á medida que o número de conteúdos na Web foi crescendo, tornou-se impossível conhecer todos os sites existentes. Tornou-se então essencial utilizar ferramentas que nos ajudem a descobrir o que pretendemos: os motores de pesquisa.
Os motores de pesquisa, como o Google ou o MSN, tornaram-se então os intermediários das nossas consultas. E esse poder foi convertido em receitas de publicidade, permitindo novamente a quem tenha capacidade de investimento ser mais divulgado do que os restantes.
A situação tende ainda a ser mais complicada. Com o crescimento exponencial dos sites disponíveis, os motores de pesquisa têm de ter mecanismos para valorizar umas páginas em relação a outras. Esses mecanismos, como o page rank do Google, valorizam as páginas que têm mais links a apontar para elas. Ou seja, tipicamente as páginas / sites das organizações maiores.
Por outro lado, se mudar de URL, isto é, o nome do seu site, arrisca a que o Google não o divulgue dado não ter nenhuma forma de saber que o novo site substitui o antigo. Aconteceu isso comigo e durante alguns meses a minha página não aparecia sequer nas primeiras 20 respostas de quem procurasse no Google . Ou experimente procurar por ``bitaites'' e verifique se o novo URL aparece...
No futuro, o poder destes intermediários do século XXI continuará a crescer de tal forma que, em breve, eles poderão condicionar a própria viabilidade de uma empresa. Se por algum motivo não for indexado no Google ou a sua entrada de DNS expirar, o que será que muda no dia-a-dia da sua organização?
Se não está no Google, será mesmo que existe?
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