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[18.2.2005] O programador português do Kernel do Linux
Como é do conhecimento de muitos, o é o software responsável por implementar as funções essenciais de um sistema operativo.
O desenvolvimento do Kernel do Linux foi iniciado em 1991 por um estudante finlandês chamado Linus Torvalds. Ao longos dos anos tem sido desenvolvido por um conjunto de programadores distribuídos pelo globo. Existe uma filtragem natural que proporciona que um programador apenas integre a equipa do Kernel se demonstrar uma grande capacidade técnica.
O que já não é do conhecimento geral é que existe um português que já contribuiu para o kernel do Linux e, em concreto, para o suporte ao IPv6.
O IPv6 é a nova geração de Internet que permite funcionalidades especiais para a emissão de conteúdos multimedia através de multicast, alargar o actual conjunto de endereços IPs , entre outras novidades.
O leitor que tenha instalado o código-fonte do Linux e emita o comando ''more /usr/src/linux/net/ipv6/protocol.c'' vai ficar surpreendido com o resultado: o nome do autor é bem português.
A história remonta a 1996 quando um estudante da FCUL (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa), Pedro Roque, recebeu uma bolsa de estudo da FCT.
A bolsa do Pedro Roque tinha como objectivo estudar o protocolo IPv6. Para tal, em conjunto com o orientador - o Prof. Pedro Veiga, hoje responsável pela FCCN - foi definido que um bom campo de estudo seria a implementação do protocolo em estudo.
O sistema escolhido foi o Linux e a programação do subsistema IPv6 foi aceite para integrar o kernel que hoje utilizamos em desktops e servidores.
Se a história tem um lado positivo que demonstra que o Linux abre novas oportunidades a investigadores portugueses para integrar a nata do desenvolvimento mundial, tem também um lado negativo.
Em 1997, o Pedro Roque foi contratado pela maior empresa mundial de equipamentos de rede para integrar a sua equipa nos Estados Unidos e nunca mais desenvolveu actividade em Portugal.
As nossas universidades, centros de investigação e empresas tardam em aprender com estas experiências. É preciso manter em Portugal a excelência dos nossos investigadores através da criação de oportunidades para os mesmos.
Só com o reconhecimento do valor de quem sai das universidades é que poderemos atingir a excelência e inovação. Caso contrário, continuaremos a ser um país ''sem Rei, nem Roque''.
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