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''Eles falam, falam, falam... e não os vejo a fazer nada''
A célebre personagem do Gato Fedorento não pode ser invocada para descrever o debate promovido pela APDSI. Este debate, destinado a analisar as estratégias para a Sociedade de Informação, contou com as presenças dos cinco partidos representados na Assembleia da Republica: PSD (Diogo Vasconcelos), PS (Mariano Gago), CDS/PP (João Caldas), PCP (Bruno Dias) e Bloco de Esquerda (Carlos Patrão).O debate foi interessante por diferentes motivos e não desiludiu as 250 pessoas que se deslocaram ao Forum Picoas no dia 11 de Fevereiro.
A grande surpresa foi o tema do software open-source ocupar, em conjunto com as patentes de software, metade do tempo de debate. Comprovou-se assim que a agenda política dos partidos na área das TI está definitivamente marcada pela necessidade de reforçar as iniciativas relacionadas com open-source.
O PCP através do deputado Bruno Dias recordou a proposta de resolução que apresentaram no sentido de reforçar a presença do Software Livre na administração pública e educação. O Dr. Diogo Vasconcelos, que dirige a UMIC, respondeu enunciando os vários projectos que tinham sido realizados com sucesso neste âmbito pelo Governo e que já aqui foram referidos num artigo anterior.
O Bloco de Esquerda apresentou o seu programa para as TI em que 1 dos 4 pontos é relativo à sua proposta de utilização obrigatória pela administração pública de software open-source. Por fim, o PP e o PS não aprofundaram este tema nem apresentaram as suas propostas concretas neste campo.
Para além de positivo, o balanço mostra-nos que já existem políticos a dominar o dossiê do software open-source.
Tanto o Bruno Dias como o Diogo Vasconcelos dominam claramente os conceitos, têm trabalho de casa feito e ideias muito próprias sobre como o open-source pode contribuir para o desenvolvimento do país.
Precisamente por estarem em quadrantes políticos diferentes, PSD e PCP, demonstram que o open-source não é do partido X ou do partido Y, é transversal a toda a sociedade. Assim, quando '' eles falam, falam, falam...'' é porque sabem do que estão a falar.
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