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[5.9.2007] iPhone da Apple: uma outra experiência
Após o sucesso do iPod e da recuperação de vendas no segmento dos portáteis / desktops, Steve Jobs anunciou na MacWorld 2007 que a Apple iria produzir um telemóvel – o iPhone.
Tinha bastantes dúvidas porque sendo os telemóveis uma área já muito saturada de inovação, um salto tecnológico significaria competências que a Apple não conseguiria reunir em tão pouco tempo.
Passados estes meses e apesar de não estarem disponíveis em Portugal, tive oportunidade de testar e ``sentir'' um iPhone.
Se já viu imagens ou vídeos do iPhone em utilização, esqueça-as. Não tem nada a ver: é muito melhor.
Não sendo um seguidor da Apple, reconheço a eficácia e facilidade de utilização dos seus produtos.
E o iPhone tem tudo isso e mais alguma coisa.
A Apple é uma criadora de experiências, não de tecnologia. Tal como o iPod dá-nos gozo utilizar, não só pela música mas pelo seu design, o iPhone leva a experiência a novos patamares.
O seu design é cuidadoso e o revestimento brilhante é agradável à vista e ao toque.
As suas funções principais são o telefone, o acesso à Internet, o leitor de MP3 e a máquina fotográfica.
Começando pelo fim. A manipulação e visualização de fotografias faz-nos saltar para dentro do filme ``Minority Report''. Se deitar o telemóvel - de vertical para horizontal - a imagem que estiver a ser visualizada roda também. Sendo o ecrã multi-touch, para fazer zoom da imagem utilizam-se dois dedos sobre o display como se estivéssemos a fazer crescer a imagem, deslocando-os em direcções opostas. Para ver a imagem seguinte presente na galeria, deslocamos o dedo como se estivéssemos literalmente a mandar a imagem actual embora. E ao chegar a nova ela ressalta ligeiramente causando uma experiência mais relacionada com o mundo físico do que digital.
A utilização do teclado do telefone não é perfeita mas consegui escrever rapidamente um número.
Não tive oportunidade de testar o browser mas disseram-me que o tamanho do ecrã e a forma como as páginas são apresentadas é muito satisfatório.
Os 270.000 telefones vendidos, nos EUA, no primeiro fim-de-semana de vendas é um número que fala por si.
A base do iPhone é o sistema operativo Mac OS X, software baseado no Mach e no BSD (Software Livre / Aberto), integrando no seu software elementos abertos e outros proprietários.
Independentemente destes últimos, o crescimento da Apple nos vários mercados é sempre uma boa notícia para a indústria TI.
O que muita gente não consegue ver é que a crescente contestação contra a Microsoft não é uma disputa modelo livre Vs. modelo proprietário. É uma disputa entre abuso de situação dominante, impedindo através da força da posição que outros possam conquistar clientes.
O grupo insuspeito de empresas e indivíduos que se têm oposto à passagem do standard OOXML – o formato do MS Office 2007 - tem alargado a sua base de apoio. Tem conseguindo votos ``contra'' de comités como o Brasil, UK, Canadá, China ou Nova Zelândia. O que está em causa é garantir standards que permitam a comunicação livre entre sistemas. A escolha entre a melhor tecnologia é feita então pelo mercado.
O comité português decidiu por 13 votos contra 7 propor a aceitação do standard OOXML. Foi esse o voto nacional, indiferentemente da maneira mais ou menos correcta em como se deu a constituição da Comissão Técnica.
O meu voto foi um dos 7 dos vencidos mas sendo uma batalha perdida, não foi inglória.
O trabalho, desgaste e custo que este processo está a ter para a Microsoft carrega uma mensagem muito clara: tentar normalizar sozinha com o objectivo de criar silos onde os clientes fiquem presos não tem a facilidade das décadas de 80 ou 90. E essa é uma mensagem que a Apple terá de absorver à medida que for ganhando mercado nos vários segmentos.
Se mantiver o ritmo de inovação e design dos produtos, mantendo ao mesmo tempo uma qualidade aceitável, essa é uma conquista que está ao seu alcance. O iPhone é um excelente telemóvel.
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