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Preâmbulo
O Software Livre / Aberto (SL/A) é hoje parte da vida de milhões de pessoas que directa ou indirectamente o utilizam em estações de trabalho e servidores.
Muitas das vezes fazem-no sem saber quando enviam um email através de um servidor, acedem à Internet através do Mozilla Firefox ou utilizam um website suportado em Linux como o Google.
A crescente penetração de SL/A não tem acontecido de forma pacífica como se poderia esperar. Interesses económicos de empresas multinacionais com valorização bolsista de milhares de milhões de dólares criaram situações de abuso de posições de mercado, desrespeito pelos standards e tentativa de atraso do inevitável crescimento deste tipo de software.
Desde Dezembro de 2004 que escrevo crónicas quinzenais sobre este tema no suplemento informático Bits & Bytes do Jornal de Notícias e, posteriormente, 24 Horas. O exercício da escrita das crónicas revestiu-se para mim de uma oportunidade para descrever acontecimentos que mudaram a face da indústria informática e da sociedade de informação em Portugal.
Mas mais de que uma oportunidade tornou-se uma responsabilidade. A responsabilidade de, partindo da posição de responsável pela distribuição de Linux portuguesa, de docente universitário e investigador em projectos europeus, descrever uma realidade que não está presente nos meios de comunicação mais mediáticos. Como responsável do Linux Caixa Mágica fui convidado para dezenas de eventos espalhados pelo país e, sempre que possível, estive presente. Enquanto investigador tenho a sorte de participar em alguns dos maiores projectos de investigação europeus na área do SL/A. Essas duas visões permitiram-me escrever sobre uma determinada realidade.
A realidade de uma batalha que se trava em universidades, empresas e administração pública.
Em universidades e escolas quando, aula a aula, semestre a semestre, professores optam por utilizar o SL/A porque reconhecem-lhe o potencial de ser uma tecnologia disruptora. Em empresas por empresários que se apercebem dos novos modelos de negócio em que podemos ter uma palavra a dizer nos grandes desenvolvimento mundiais e em que não somos meros utilizadores de funcionalidades desenvolvidas a milhares de kms. Na Administração Pública por funcionários que não são permeáveis a teias e interesses instalados, optando por standards e tecnologia abertos. Por governantes que compreendem que saltos tecnológicos implicam novas estratégias e abordagens.
Optei desde o início por um estilo incisivo e polémico. Apesar dos dissabores pessoais que algumas das polémicas me trouxeram (cartas ao director do jornal, boicote por parte do Min. da Educação, etc..) acho ser esse o dever de quem escreve um texto opinativo. Mas também tentei ser justo com quem desempenha um bom trabalho, seja em funções governativas, seja como executante de uma estratégia. E temos em Portugal muitos e bons casos.
A reunião destes textos surgiu-me pela primeira vez em Julho de 2007 durante um evento sobre SL/A na educação, em Palmela. Um professor de TIC veio ter comigo e referiu guardar num dossier as várias crónicas que eu tinha escrito. Apesar de temporalidade e da inegável falta de mérito literário, havia alguém com interesse em poder ler mais tarde o que se estava a passar neste nosso mundo do SL/A.
Depois de analisar a questão reparei que, em breve, quando blogs e websites forem actualizados, pouco ficará a testemunhar as pequenas vitórias e derrotas como que nos deparámos durantes estes anos.
Se algum mérito pode ter este conjunto de textos espero que seja esse: fazer justiça a quem em Portugal e no mundo tem acredito que o SL/A pode, na sua medida, contribuir para o desenvolvimento da nossa sociedade.
Sem fundamentalismos mas com a forte convicção de que, apesar de trabalhoso, ser ``actor'' no palco da vida é mais gratificante do que ser mero ``espectador''.
Seguinte: Indíce Acima: . Anterior: Agradecimentos Conteúdo Índice 2007-09-24
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