Bits de Mudança

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[10.6.2005] É o modelo, estúpido!

Um estratega da campanha de Bill Clinton em 1992 pendurou no seu gabinete a frase: ``É a economia, estúpido!''.
A sua ideia era mostrar aos restantes colaboradores da campanha que tudo se relacionava directamente ou indirectamente com a economia: desemprego, inovação, indústria ou segurança social. Os eleitores acabam por votar em quem cuja capacidade de fazer a economia crescer inspirar mais confiança.

Durante esta semana, lembrei-me desta história duas vezes.
A primeira foi com um artigo colocado num fórum dos utilizadores da Caixa Mágica pelo André, um aluno do ensino secundário que estava a fazer um trabalho sobre o Linux. A pergunta do André foi qualquer coisa como: “Porquê o Linux é melhor que o Windows?''.
Rapidamente a sequência de respostas tendeu para a indicação das vantagens e desvantagens do Linux e do Windows.
O que não tem nada a ver com a pergunta original. Reparem na construção da frase. Não é perguntado ``Quais as vantagens do Linux?'' mas sim ``Porquê o Linux é melhor do Windows?''.
A razão para o Linux ser diferente tem a ver com o seu modelo de licenciamento.
Apesar do modelo de licenciamento ser da esfera legal influencia a área técnica. E influencia os modelos de negócio. E influencia toda a envolvente.
O modelo legal do Linux é baseado na licença GPL, criada por Richard Stallman, e defende: pode ser utilizado, modificado e distribuído sem autorização do autor, sem restrições quanto ao fim e sem ter de se pagar por isso.
Este modelo é suficientemente confortável para que bons programadores dediquem tempo a melhorá-lo e suficientemente confortável para que empresas como a IBM ou Novell invistam no seu desenvolvimento. Sem colisões entre os dois mundos. É confortável ao ponto de haver migrações de milhares de postos de trabalho em cidades europeias ou dos POS numa rede de lojas com 200 postos de trabalho.

Para o André, a pergunta que conta talvez não seja o ``Porquê?'' mas ``Quais as vantagens?''.
O Linux tem vantagens e o Windows também.
O que se passa é que nós contabilizamos umas e outras e acabamos por escolher aquele que nos dá mais vantagens. A contabilização é feita de ano a ano quando fazemos uma actualização do computador ou adquirimos um novo.
Para mim, o Linux desde 1996 que tem mais vantagens do que o Windows. Reconheço porém que pela dificuldade técnica nessa altura só 0,1% dos utilizadores contabilizavam da mesma forma que eu.
Passados quase 10 anos, o panorama é muito diferente.
Para além dos servidores em que o Linux se impõe com muita facilidade, veja-se o Apache, o Desktop está a conquistar os utilizadores do Windows.

Imagino que, chegados a este ponto, o André se questionaria: ``Se o Linux é tão bom porquê, apesar do seu crescimento, o Windows ainda é maioritário no mercado?''.
Se eu estiver numa ilha deserta, sem conhecimentos de Linux, sem Internet, com 1000 pessoas e todas elas só souberem Windows, é viável utilizar Linux? Claro que não.
Mas hoje já não existem ``ilhas''. Com a Internet, as comunidades virtuais, as empresas que dão suporte ao Linux, cada vez mais as vantagens e desvantagens são objectivamente avaliadas.



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2007-09-24

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