Bits de Mudança

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Grid Computing sobre Linux e em Portugal

O Grid Computing não é, para já, utilizado em situações domésticas - se excluirmos o SETI e outros projectos que com algum esforço também se podem considererar Grids.
A tradução de Grid Computing para português deverá ser ``Computação em Rede'' e não a sua tradução literal ``Computação em Grelha''. Isto porque o sentido de ``Grid'' provém de Power Grid, e nós em Portugal não temos uma ``Grelha Eléctrica Nacional'' mas sim uma ``Rede Eléctrica Nacional''.
A comunidade científica portuguesa não dispõe hoje de acesso a uma infra-estrutura de Grid Computing como a que dispõe a comunidade americana, inglesa ou espanhola. Várias instituições portuguesas dispõe de capacidade computacional através de cluster de PCs e Workstations (Física do IST e Universidade de Coimbra, ADETTI / ISCTE, INESC, Universidade do Porto,...) mas, mesmo que os clusters referidos utilizem o Globus Toolkit, não são uma Grid mas antes nós isolados.
Uma Infra-estrutura Nacional de Computação em Rede (INCR) em Portugal é importante porque existem investigadores que precisam de acesso a recursos computacionais e temos de aproveitar sinergias entre todos os que precisam e todos os que têm esses recursos. Por outro lado, a própria investigação em Grids é uma das áreas mais ``quentes'' do programa IST da União Europeia, da ESA, etc...
O funcionamento de uma INCR até pode ser bastante simples. Existe capacidade de computação disponível e os investigadores / docentes deverão apresentar pedidos de utilização da mesma. De acordo com regras objectivas, a cada investigador ou grupo é atribuído um número de horas de CPU. Por exemplo, 1200 horas de CPU de 64 bits. Um investigador acompanha o tempo disponível através de um site.
O facto de não termos (ainda) uma INCR em Portugal deve-se a falta de iniciativa política.
O mais importante até já temos. Temos uma rede académica que interliga Universidades e Laboratórios e cujo backbone funciona a 10 Mbps (rede FCCN). Temos uma instituição - a FCCN - sem fins lucrativos com um datacenter para albergar um eventual cluster de servidores Intel / AMD de 32 / 64 bits. Temos investigadores a quem a necessidade de computação seria útil (Inst. Gulbenkian de Ciência, laboratórios associados, docentes de universidades públicas e privadas).
A FCCN (Fundação para a Computação Científica Nacional) é a entidade mais apropriada para gerir e manter o projecto não só pelo nome que ostenta, mas porque dispõe de recursos humanos qualificados para gerir os recursos disponíveis de hardware (storage, CPU,...) e software (Linux, Globus,...).
Os centros que hoje dispõe de capacidade de computação poderiam numa segunda fase juntar-se à INCR. Os seus investigadores ganhariam mais horas de computação e sinergias de manutenção seria atingidas.
Uma solução como a referida acima terá de ser a curto-prazo posta em prática, sob pena da nossa ciência ir parar à ``grelha'' - como numa churrascada à portuguesa - e não à ``rede'' como se pretende.


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2007-09-24

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