Bits de Mudança

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[ 26.8.2005] GilDot: o maior fórum de discussão sobre SL/A em Portugal

O GilDot (http://www.gildot.org) é mais do que um fórum de discussão. É a argamassa com que nos últimos 6 anos se construiu a comunidade SL/A em Portugal.
Periodicamente, alguém prediz o seu fim mas as estatísticas não enganam. Nos últimos 12 meses teve 1.2 milhões de acessos e 3.8 milhões de páginas lidas.
Apoiando-me num artigo escrito por um dos fundadores, António Coutinho, por altura do seu 2º aniversário é interessante recordar a sua génese.
O GilDot nasceu de um grupo de docentes da Universidade do Minho que trabalhavam e investigavam em Linux. Esse grupo, o Gil, era leitor do SlashDot e considerou fazer falta um site do mesmo tipo em Portugal. Um dos seus elementos, o Dário Teixeira, desenvolveu então a versão portuguesa a partir do código open-source do SlashDot.
Por ocasião da II Workshop de Linux no ISCTE, em Abril de 1999, o Gil lançou o GilDot. Foi uma sorte para mim porque, como organizador da Workshop, tive o prazer de ser o primeiro editor de fora do grupo a ser convidado.
Desde o seu lançamento que têm surgido discussões monumentais e históricas. De problemas envolvendo tribunais / PJ de utilização imprópria de nomes de endereços Internet (cyber squatting) à criação e dissolução de projectos. De discussões sobre o roubo da BD com passwords dos utilizadores a discussões sobre IRC.
No GilDot lê-se as notícias nacionais e internacionais do meio SL/A, ouvem-se mexericos, discutem-se pormenores técnicos. O aluno do secundário responde ao professor universitário. O anarca responde ao presidente de uma fundação pública.
A grande ameaça, se é que ela existe, é a ruptura de gerações. As discussões de que algumas pessoas se queixam e que as fazem afastar do GilDot parecem-me que são por falta de respeito entre uma 1ª geração, que se conhecia toda, e uma 2ª geração que não se dá a conhecer fora do anonimato dos nicks. São estranhos entre eles, o que faz com uma troca de posts rapidamente degenere.
A responsabilidade é da 1ª geração que não imprimiu uma sociabilização que ensinasse onde estão os limites. A responsabilidade é da 2ª geração que não soube dar a conhecer-se. Mostrar os seus projectos, o que faz e o que vale. E valem muito.
Como qualquer sentimento humano, esse sentimento de respeito é subjectivo e difícil de definir. Só o consigo através de uma pequena experiência que presenciei.
Fui a um funeral de um familiar afastado numa pequena aldeia rural perto de Alenquer. Como a aldeia não tinha cemitério, o cortejo seguiu a pé - como manda a tradição - para a aldeia vizinha. A meio do percurso de 4 km's sob sol escaldante de Julho, vejo no passeio 3 calceteiros a trabalhar com o habitual afinco pré-eleições autárquicas. Mal passara o carro funerário, os dois mais velhos interrompem o que estavam a fazer, levantam-se e tiram a boina, segurando-a nas mãos respeitosamente cruzadas à frente. O mais novo continuara a trabalhar até que um dos outros lhe deu um leve toque, suficiente para perceber que deveria parar e imitá-los. Os calceteiros não conheciam o defunto, em gíria GilDot, o utilizador do carro funerário, mas sabiam que era um ser humano com qualidades e defeitos, com aspirações e falhanços, com valores e preconceitos. E por isso, respeitavam-no. O mais novo não sabia qual o limite nem, por muito ou por pouco que o sentisse, qual a forma de mostrar esse respeito.
O GilDot está mais interessante que nunca, dando-lhe o desconto da silly season, e vai por cá estar durante muito mais anos.
O que custa, são os seis primeiros anos. Tal como a comunidade, a argamassa está para ficar.



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2007-09-24

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