Bits de Mudança

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O achaque tecnológico

Por caminhos menos bons, o choque tecnológico é uma das principais apostas deste governo.
O governo pretende apostar na inovação, proporcionando o desenvolvimento do país através de ``saltos'' tecnológicos. Ou seja, saltando ``degraus'' na adopção de tecnologia e beneficiando dessa forma a população, empresas e administração pública.
Acredito nesta estratégia se o ``salto'' for conseguido por rupturas com fuga para a frente.
A Unidade Coordenação do Plano Tecnológico (UCPT) viu na mesma semana ser finalmente aprovado o dito ``Plano'' e demitir-se o seu coordenador.
As Unidades Missão são um fenómeno curioso. Todos sabemos que não são mais do que curto-circuitos ao ``aparelho'' dos ministérios. Têm a vantagem de funcionar com objectivos bem definidos, recursos humanos motivados e, na maioria das vezes, recursos disponíveis.
Na teoria funcionariam bem mas na prática há casos flagrantes de inépcia.
O Ministério da Educação é um bom exemplo. Criou duas novas unidades.
Uma delas, o CRIE que é liderado por João Correia de Freitas, recebeu as competências do GIASE, o departamento que era responsável pelas salas TIC. Com mais ou menos problemas, a verdade é que o GIASE tinha conseguido arrancar com 1.100 escolas espalhadas pelo país no ano lectivo anterior e colocar Linux em 14.000 PCs. Este ano, e após 9 meses de governo e 3 meses do início das aulas, a desordem nas salas TIC é maior do que nunca. Não existem actualização do software e foram adquiridos 4.000 computadores que não têm Linux instalado nem previsões para o ter. Os professores responsáveis não sabem como proceder e nós já não sabemos o que havemos de responder em relação ao Linux Caixa Mágica.
Estamos neste estado quando no início do mês tive a oportunidade de fazer uma intervenção sobre o Linius - existem vários ministérios que com ou sem plano estão de facto a trabalhar na vertente tecnológica - no Congresso do INA cuja mesa era presidida pela UCPT. No meu painel intervinha um elemento da Secretaria Geral do Ministério da Educação. As minhas expectativas eram que finalmente o choque chegara à Educação. Choque, choque, foi o meu quando contabilizei que 5 em cada 6 slides eram sobre a rede de bibliotecas. Nem uma referência a TIC, processos de colaboração via Wiki, eLearning ou algo que se parecesse com tecnologia, seja ela fechada ou aberta.
O CRIE tem ainda uma pequena margem para corrigir a situação das salas TIC e para evitar que o Linux seja afastado das mesmas por falta de apoio aos professores. Os 5.000 professores de TIC e os 180.000 alunos serão uma excelente testemunha no final do ano.
Por outro lado, a nível da UCPT, UCMA ou UMIC existem iniciativas inovadoras que poderiam ser tomadas. A mais relevante seria a constituição de um grupo de trabalho para o SL/A na AP que pudesse apoiar organismos, redigir documentos de apoio e promover a troca de experiências em conjunto com o CITIAP. Sabendo-se que 5 dos 6 candidatos presidenciais utilizam SL/A no seu site, esta seria a forma de dar o salto numa área crítica do nosso futuro.
Se deixarmos escapar estas oportunidades, confirma-se uma tese muito própria que tenho sobre a origem da expressão ``choque tecnológico'':
Começámos por sofrer de um ``achaque'' quando soubemos de uma nova paixão do executivo. Acreditámos que viriam ``cheques'' que iriam despoletar projectos estagnados. Mesmo sem os ``cheques'' parece ``chique'' falar do plano. Entraremos em ``choque'' quando percebermos o que resta das ideias originais.



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2007-09-24

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