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[23.12.2005] 2005: O mundo é plano
O ``Mundo é plano'' de Thomas L. Friedman é o grande best-seller de 2005 na área das TI.
Habitualmente hostil a best-sellers, não resisti a este que veio aconselhado por um amigo que, para além da revelação do que o livro tratava, ainda me informou que o ia a ouvir no carro. Ou seja, tinha comprado o audio-book e ia a apreciá-lo enquanto fazia a A1 Lisboa-Porto.
Thomas L. Friedman é jornalista do The New York Times e ganhou o prémio Pulitzer por três vezes.
Ele defende no livro que o mundo está cada vez mais plano, isto é, sem barreiras à troca de conhecimento e imune a distâncias, devido a 10 forças: a queda do ``muro'' em 1989, a venda pública de acções da Netscape (como reflexo do fenómeno Web), o software de workflow, o out-sourcing, o off-shoring, as redes de distribuição, o in-sourcing, o in-forming, o Wireles e o open-source.
Estas 10 forças alteraram o mundo tal como o conhecíamos e moldaram a sua nova forma: a nossa contabilidade é feita na Índia, a impressora consertada nos EUA, o software desenvolvido em esforço colaborativo por pessoas que nunca se conheceram pessoalmente, etc...
De entre as 10 forças identificadas, o open-source tem se vindo a afirmar gradualmente e tornou-se parte da nossa sociedade do conhecimento.
Chegados a Dezembro é tempo de balanço e nada melhor que rever os temas focados nesta crónica. Eles reflectem o SL/A e este por sua vez reflecte o mundo.
Em Janeiro falámos do sismo da Ásia, do anúncio do Firefox no New York Times e da versão Beta da Caixa Mágica 10. Falámos ainda da migração de desktops em Munique e da campanha da ASSOFT contra o software ilegal que, indirectamente, era a favor do SL/A (Software Livre / Aberto).
Em Fevereiro foi contada a história do Programador do Kernel Linux português. Revimos o debate eleitoral sobre sociedade de informação e as expectativas de cada partido.
Março foi o mês do evento organizado pela Presidência da República sobre a sociedade da informação e que num dos painéis focou exclusivamente o SL/A.
Em Abril fizemos a antevisão do OpenOffice 2.0 Beta e prestou-se informações internas sobre o lançamento da CM Desktop 10. Falou-se ainda do evento Linux 2005 e do projecto do Ministério da Justiça para levar o Linux ao desktop - o Linius.
Em Maio focámos a aventura que é comprar um portátil sem sistema operativo instalado.
Junho foi o mês da análise do modelo SL/A (``É o modelo, estúpido!'') e do programa brasileiro ``PC conetado'' que escolheu o Linux para sistema operativo. A previsão (pessimista) do que viria a ser a votação de patentes de software no Parlamento Europeu (PE) foi ainda feita em Junho.
Em Julho, positiva e surpreendentemente, soube-se que as Patentes de software tinham sido chumbadas pelo PE, o que significou uma vitória para quem defendia maior abertura à inovação e, indirectamente, dos defensores de SL/A. Abordei anda a conferência OSS 2005 que decorreu em Génova e as grandes tendências que dela emergiram.
Agosto foi o mês para rever os conceitos de Grid computing e recordar a iniciativa nacional para Grids. Foi ainda o mês para recuperar o GilDot e o lançamento da segunda distribuição de Linux portuguesa, o Alinex.
Em Setembro focámos a problemática dos Media Center, da certificação digital em Linux - com a respectiva abordagem do CEGER/ rede do governo e a diversidade de estudos sobre o TCO (total cost of ownership) em sistemas proprietários Vs. SL/A.
Em Outubro publicou-se o lançamento do IBM Z9 que suporta Linux, o sistema mais dispendioso do mundo, e do PC de 100 euros proposto por Negroponte e igualmente baseado em Linux. LanParties, o formato Oasis e a face negra da indústria de software com o ataque ao Linux do Ministério da Justiça fecharam o mês de Outubro.
Novembro foi o mês em que voltámos a discutir o modelo fechado / aberto com a analogia com a indústria cervejeira. Tivemos ainda oportunidade de referir o OpenOffice 2.0, KDE e a falta de apoio às salas TIC que está a ser dada pelo Ministério da Educação apesar da suposta ``paixão'' do Governo pela área.
Por fim, em Dezembro, referiu-se o lançamento do Firefox e o promissor programa do MCES, ``Ligar Portugal''.
Em conclusão, o ano de 2005 foi um grande ano para a sociedade da informação em Portugal e para o SL/A.
Se tivéssemos de eleger o grande protagonista SL/A de 2005 seria certamente o Parlamento Europeu e a decisão contra patentes de software. Nessa altura, e ainda sem conhecer o livro de Thomas Freedman, intitulei ``Nivelando o terreno'' à crónica em que descrevi a decisão. De facto, o mundo está mais plano e mais nivelado como descrito no livro, o que interpreto como um raio de esperança para o ano novo que se aproxima.
Em antevéspera de Natal, ao amigo que me aconselhou o livro, aos jornalistas e colaboradores do Bits & Bytes e a todos que em 2005 acompanharam esta crónica resta-me desejar um excelente Natal e um próspero 2006.
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