Seguinte: [17.3.2006] Um mundo pequeno: Acima: [3.3.2006] Nokia 770: Linux Anterior: [3.3.2006] Nokia 770: Linux Conteúdo Índice
MIT(o) ou não MIT(o): eis a questão
A possível parceria entre o estado português e o MIT tem feito as delícias dos media pelas razões erradas. Têm focado nas divergências dentro e fora do Governo e não no que representa o MIT.
Uma universidade não vale pelos edifícios onde está situada mas pela cultura que incorpora. Cultura essa criada por docentes, investigadores e estudantes e que tem impacto directo na sociedade. Nas nossas empresas, nas nossas organizações.
Como o Chanceler do MIT, Phil Clay, bem recordou no sábado passado, a instituição existe desde 1861 e, desde sempre, com o objectivo de servir a indústria.
A possível parceria entre o MIT e instituições de ensino superior e de investigação portuguesas pode vir a ser muito positivo para importar essa cultura de verdadeira inovação. E atrevo-me a dizer que o lugar comum de nomear os prémios Nobel atribuídos ao MIT não vale tanto como a simples enumeração de alguns dos projectos que nasceram nesta instituição.
Recordemos que foi no MIT que Richard Stallman trabalhava quando decide criar a GNU. Que foi no MIT que nasceu o X-Windows em 1984. Que é no MIT que Negroponte desenvolve o projecto do portátil de 100 dolares. Que o MIT é o responsável pelo MIT Open CourseWare que disponibiliza livremente os conteúdos de quase todas os cadeiras dos cursos aí leccionados.
Esta cultura de abertura e de aposta em novas ideias é desconhecida em Portugal. Por exemplo, quando o Ministério da Justiça decide apostar numa distribuição de Linux própria desenvolvida por uma universidade pública portuguesa cai-nos o deputado Montalvão Machado em cima. É na dinâmica MIT que temos muito a ganhar e a aprender.
Independentemente dos percalços e do sucesso futuro, o MIT pareceu comprometido a desenvolver a parceria e isto só acontece pelo empenho de Mariano Gago e do secretário de estado, Manuel Heitor. Não foi preciso assinar protocolos a granel, bastando neste caso dois, para se ver da parte de quem assistia à assinatura do protocolo uma verdadeira vontade de concretizar o plano tecnológico.
Quem sabe, talvez ainda estejamos a tempo de seguir um bom caminho. Caminho esse que nunca passará apenas por uma via, mas pela pluralidade e abertura de abordagens tecnológicas.
Seguinte: [17.3.2006] Um mundo pequeno: Acima: [3.3.2006] Nokia 770: Linux Anterior: [3.3.2006] Nokia 770: Linux Conteúdo Índice 2007-09-24
Esta obra está licenciada sob uma
Licença Creative Commons.
© 2007 Paulo Trezentos | Design by Andreas Viklund