Bits de Mudança

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[14.4.2006] Palm V e telefone Cisco: gémeos da inovação


A semana passada foram aqui descritas algumas das tendências tecnológicas emergentes em Silicon Valley como a Web 2.0 e Ajax, assim como os novos modelos de negócio. O objectivo era analisar o que nos guarda o futuro como investigadores, empreendedores e fornecedores de TI em Portugal.
Já alguma vez se perdeu a admirar o design de um PDA Palm V? Ou de um telefone VOIP da Cisco? Tudo obra da IDEO.
A IDEO não é uma empresa de TI mas de design de produto liderada por Tom Kelley, autor do livro ``The art of innovation''.
A inovação sente-se no ar e é a matéria-prima que dará origem à facturação da empresa. Para essa ``fábrica de inovação'', o ambiente de trabalho conta e muito. A secretária de trabalho de um colaborador situa-se dentro duma carrinha Wolkswagen pão-de-forma à entrada de um dos edifícios principais, o veículo preferido é a bicicleta que se pendura em cabos que descem do tecto e existe um bar ``fashion'' dentro da empresa onde, uma vez por semana, um orador externo apresenta uma ideia ou tendência.
Na criação de novos produtos, a primeira máxima da IDEO é ``Olhar à volta. As boas ideias estão em todo o lado'' e a segunda é ``Prototipagem antes de tudo. Falha cedo para vingares mais tarde''. Fazer um protótipo pode consistir num desenho de um ecrã num post-it, ou o desenho de um telefone em cartão prensado.
Estar em Silicon Valley ajuda a captar clientes mas o verdadeiro trunfo é aplicar um processo interno rigoroso de incentivo à criação inovadora. Perceber o que o cliente quer, ver como os utilizadores interagem com os produtos semelhantes existentes (como a observação de como as mães utilizam carrinhos de bébé com o intuito de desenvolver um novo), ter ideias disruptoras e fazer protótipos. Muitos protótipos.
Esta receita poderia funcionar no ``vale'' ou na Covilhã. Está tudo na abordagem e cultura interna das organizações.
Daí fazer sentido regressar às questões iniciais.
Existe futuro para os alunos das nossas universidades montarem as suas empresas e desafiarem o resto do mundo? Que possibilidades para os nossos investigadores serem os melhores da sua área? Um empresário português pode vingar na competitividade do mundo plano?
Após uma semana de visita, tenho a certeza que sim.
Um dos critérios mais apontados para o sucesso do vale não é o facto de existir capital de risco abundante, ter as melhores universidades do mundo, não ter medo de arriscar ou estar geograficamente bem situado. É o clima ameno. E de clima, estamos bem servidos em Portugal. E ao contrário do resto, nem maus empresários, nem maus sindicatos, nem maus políticos o podem arruinar. Para além do clima, temos criatividade, tolerância e boa capacidade de adaptação às situações. Tudo o que precisamos para que a próxima IDEO nasça na Covilhã.



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2007-09-24

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