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[28.7.2006] FreeDesktop.org - harmonizando pés e dragões verdes
Folheando a secção do Bits & Bytes que apresenta semanalmente as capturas do ecrã dos leitores torna-se claro um dos principais critérios de escolha de um sistema operativo: a beleza e disposição dos elementos no ambiente de trabalho.
Existem outros, é certo, mas o ``ser bonito'' conta muito.
O Gnome e o KDE são os dois principais ambientes gráficos disponíveis em Linux. Isto é, o software que nos permite ter aplicações em janelas de encher o olho, copiar texto entre elas ou partilhar configurações.
O KDE (Kool Desktop Environment), cuja mascote é o Konqi – um dragão verde, foi iniciado em 1996 por Matthias Ettrich, estudante da universidade alemã de Tübingen. Eric estava saturado dos desktops UNIX e propôs desenvolver-se em C++ um ambiente de trabalho mais amigável. Contudo, a biblioteca gráfica utilizada (Qt) não era nessa altura Software Livre / Aberto (SL/A), o que fez com que alguns programadores de SL/A procurassem alternativas.
Uns fizeram-no através de uma implementação livre do Qt, a Harmony, e outros – liderados pelo mexicano Miguel de Icaza propuseram em 1997 o início de um ambiente de trabalho independente baseado na biblioteca gráfica do Gimp (Gtk) e desenvolvido em C. Esse esforço foi baptizado de Gnome e o seu símbolo é um pé esquerdo ou a respectiva pegada, dependendo da interpretação.
Por um lado a Red Hat, uma das principais distribuições de Linux, apoiou entusiasticamente o Gnome, enquanto a SuSE – talvez pela sua costela alemã – apoiou o KDE.
Ao longo dos últimos 10 anos, e versão após versão, têm alternado a liderança da preferência dos utilizadores por períodos de tempo relativamente curtos.
Na preparação da versão Beta do Linux Caixa Mágica 11, a lançar até ao final de Julho, fiquei convencido com o actual estado de desenvolvimento do ambiente Gnome. Como outros, sempre me mantive um pouco à parte utilizando WindowMakerw – um ambiente gráfico mais leve mas muito flexível.
Contudo, a simplicidade e organização do Gnome convenceram-me a a utilizá-lo. Pelo menos, temporariamente.
O Gnome juntamente com alguns desenvolvimentos que foram realizados por outros projectos, como o suporte a hardware providenciado pelo HAL, permitem ter um ambiente de trabalho muito intuitivo com fácil configuração de impressoras ou mudança entre Wireless e rede.
Não significa isto que o KDE esteja estagnado. Pelo contrário, como já aqui foi referido, o KDE 4 promete uma série de novas tecnologias e abordagens de usabilidade. Algumas com sabor nacional em função dos portugueses envolvidos no esforço.
Durante o desenvolvimento desta versão de Caixa Mágica, tal como no desenvolvimento da Beta do Linius 2006, foi interessante analisar o sinal de maturidade revelado na coexistência destes dois projectos concorrentes. Ambos integram e contribuem para o projecto FreeDesktop.org que visa harmonizar os protocolos e definições no ambiente de trabalho. Os seus resultados são muito positivos, como comprova a possibilidade de uma aplicação ter apenas um ficheiro a indicar qual a localização da mesma no menu de iniciação de aplicações. Tanto o KDE como o Gnome lêem esse ficheiro de XML e processam-no à sua maneira.
O Desktop não se resume ao ambiente gráfico.
Em ambiente empresarial as variáveis críticas são outras. Na verdade, podemos resumir a duas: interacção com o Exchange Server e suporte a aplicações de negócio existentes.
No caso da primeira, ou seja do Email / Groupware, existe um avanço considerável nos últimos 2 anos com o amadurecimento do Kontact (KDE) e do Evolution (Gnome) permitindo a utilização de contactos, tarefas e pastas públicas partilhadas. Este avanço resulta da competição entre os dois projectos e da vontade que cada um tem em oferecer melhores ferramentas que o outro.
Em 10 anos, o desktop Linux conta muitas histórias. Uma historia nascida no México. Outra na Alemanha. E conta-nos ainda histórias de cooperação no FreeDesktop.org.
Aproveitemos então as férias para testar o Gnome e KDE presentes na Caixa Mágica 11 Beta e decidir. Que ganhe o melhor, e que o melhor apareça no Bits & Bytes.
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