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[8.9.2006] Servidores ao ``fundo''
A expressão ``lamentamos mas o sistema / servidor está em baixo'' é lhe familiar? Esta semana ouvi-a duas vezes.
Primeira grande verdade: não somos exigentes em relação aos sistemas de informação. Talvez por isso somos o país da Europa onde o .Net tem maior penetração.
Começando pelo princípio. A FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia) é a responsável em Portugal pela atribuição de fundos a projectos de investigação em todas as áreas. A 31 de Agosto deveria terminar a submissão de projectos não fosse o caso do site institucional estar 70% do tempo em baixo durante mais de uma semana. Uma colega minha socióloga passou alegremente a semana a colocar o despertador para as 4:30 – sim, da manhã – para apanhar o servidor mais ``bem disposto'' e para conseguir terminar a submissão do seu projecto.
Segunda grande verdade: quando os sistemas dão para o torto, não reclamamos em voz suficientemente alta. Ou isso, ou acreditamos que as instabilidades da aplicação ASP da FCT são propositadas e destinam-se a filtrar os investigadores com capacidade de acordar a meio da noite.
Talvez não sejamos críticos porque os nossos destinatários – geralmente em situação de poder – têm dificuldade em lidar com essa crítica.
Terceira grande verdade: as críticas são levadas em tom pessoal e mal ``digeridas''.
Na mesma semana, Cláudio Franco num blog pessoal fez uma crítica ao projecto Oeste Digital – um projecto subsidiado pelo POS-Conhecimento e que visa disponibilizar conteúdos digitais– e o responsável da empresa pela construção do portal ameaçou-o com um processo em tribunal.
Por fim, e quando estava de partida para uma reunião de projecto na sede da Mandriva - num país onde os servidores funcionam como deviam - o meu avião teve um atraso de 3 horas porque o sistema de check-in no Porto estava em ``baixo'' e isso atrasou todos os aviões.
Com uma bateria Sony que confirmaram-me que não explodia, ao contrário dos portáteis Dell e Mac, tive 45 minutos de espera tolerável. No final do tempo de bateria juntei-me ao grupo dos ``Tontinhos de Aeroporto''. Os ``Tontinhos de Aeroporto'' são os indivíduos que, como eu, andam na sala de espera a olhar de forma fixa por baixo das cadeiras, perscrutam as paredes e desviam os cinzeiros. Acertaram. Tudo em busca de uma tomada e sob o olhar desconfiado dos passageiros e hospedeiras de terra.
Já temos rede sem fios mas computadores sem bateria só no PC de 100 dólares do Negroponte.
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