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[22.9.2006] Software sem ``borbulhas''
Quantos projectos de Software Livre / Aberto (SL/A) são precisos para mudar uma lâmpada? Resposta: 100.000. Um para desenroscar a lâmpada antiga e colocar a nova e os restantes 99.999 para fazerem estatísticas, fornecerem um feed RSS, enviarem uma newsletter adequada ao momento e disponibilizarem o forum para se comentar a operação.
Se lhe parecer exagero existirem 100.000 projectos de open source experimente contar os projectos no SourceForge, CodeHaus ou Tigris. São mesmo 100.000.
Muitos desses projectos respondem à mesma necessidade informática. Pelo que uma questão surge frequentemente: entre eles, qual escolher?
Postgres ou MySQL como base de dados? Compiére ou ERP5 como ERP? Moodle ou Sakai para eLearning?
Se o objectivo for escolher o software para gravar CDs lá em casa, então a questão resume-se a experimentar o K3B e o Gnome Toaster e escolher o que nos parecer melhor.
Mas, por vezes, a escolha sendo empresarial é mais delicada e tem contornos estratégicos para a organização que a vai adoptar.
Se se vir na situação de ter de escolher um SL/A para a sua empresa não desespere. Existem modelos que nos ajudam a – tanto quanto possível – cientificamente escolher a melhor solução de entre as várias possíveis.
Os mais populares são o Open Source Maturity Model apoiado pela Cap Gemini, o Open Source Maturity Model da Navica e o OpenBRR (http://www.openbrr.org/).
Claro que o primeiro passo é arranjar um modelo para escolher entre os modelos. Os três propõem-se ajudar-nos a escolher o software mais maturo. Ou seja, aquele com menos ``borbulhas'' de adolescente pois, se tiveram uma adolescência com a minha, não queremos os nossos servidores a atravessar uma fase tão instável.
Como são muito semelhantes, vamos concentrar-nos no OpenBRR. Este sugere classificar o software em estudo em 12 métricas e depois chegar a um valor final que nos dá a preparação do software para utilização (o Business Readiness Rating).
As 12 métricas são: funcionalidade (vai o software de encontro aos requisitos que necessita?), usabilidade (é o software fácil de utilizar e amigável), qualidade (está bem desenvolvido, é estável?), segurança, desempenho, escalabilidade (acompanha as necessidades de crescimento?), arquitectura (está bem desenhado?), suporte, documentação, adopção (é grande a comunidade de utilizadores?), comunidade (quão activa é a comunidade que o desenvolve) e profissionalismo.
Para cada uma das métricas anteriores podemos dar uma classificação e um peso relativo que ajudará a ponderação final.
Assim, se o meu chefe pedir para ajudá-lo a escolher entre o KDE e o WindowMaker eu poderei dar 5 em Desempenho ao WindowMaker e 1 ao KDE. Contudo, o peso da métrica Funcionalidades em que o KDE tem claramente uma melhor classificação poderá ser determinante para que este saia vencedor.
O modelo é flexível e o peso é que nos permite adoptar às diferenças das várias organizações.
Existem no site do OpenBRR várias avaliações a software como Moodle e Mambo, Jboss e Struts, Firefox e Konqueror.
O modelo é trabalhoso mas obriga-nos a conhecer melhor os projectos antes de adoptar software. Assim, por exemplo, se reparamos que a comunidade é pouco activa isso poderá antever um fim próximo para o projecto.
O modelo de SL/A funciona como a natureza. Existe uma contínua selecção natural em que apenas os mais aptos vingam.
Estes modelos ajudam-nos a escolher os mais aptos e dessa forma tornar a evolução mais rápida.
Dos três modelos atrás apresentados, dois deles são patrocinados pela Intel. Curiosamente, esta empresa disponibilizou esta semana um Live CD (http://www.linuxfirmwarekit.org/) que permite testar se as BIOS das mother board são bem suportadas em Linux.
A escolha de um software, seja ele qual for, é uma espada afiada sobre a nossa cabeça. Ao escolher por SL/A, damos apenas o primeiro passo no sentido de a manter. O segundo passo consiste na utilização de um modelo de análise de maturidade do software. Pela escolha de um software sem ``borbulhas''.
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