Seguinte: Caixa Mágica 11 - Acima: Ano de 2006 Anterior: [3.11.2006] Firefox 2.0 Vs Conteúdo Índice
[17.11.2006] Ubuntu e o Africano do EuroMilhões
Por estes dias, o tema de todas as conversas é o que fazer com os 180 milhões de euros que (nos) sairão no EuroMilhões de sexta-feira.
Estúpidos e abrutalhados, citando linguagem de felino fedorento, pagamos múltiplos de 2 euros não porque tenhamos esperança de ganhar, mas porque nos dá direito a sonhar durante 10 minutos sobre o que faríamos com o dinheiro. E são 10 minutos em que fugimos do dia-a-dia.
Nesses 10 minutos partilhamos as palavras de Rockfeller quando disse que só conhecia três formas de gastar dinheiro: mulheres rápidas, cavalos lentos e companhias aéreas.
Mark Shuttleworth não precisou de sonhar. Ele ganhou um EuroMilhões de 575 milhões de dólares.
Mark nasceu na cidade mineira de Welkom, na África do Sul. No último ano da universidade criou a sua própria empresa de segurança em comércio electrónico. A empresa especializou-se em certificados digitais. Isto é, a chave que nos permite aceder a sites Web como bancos e aparecer no browser o cadeado que significa que é um site reconhecido.
A Thawtew rapidamente ganhou 50% de quota de mercado e, em 2000, foi comprada pela sua concorrente, a VeriSign, a Mark Shuttleworth por 575 milhões de dólares.
Mark não foi o sorteado. Ele perseguiu a sorte. Aqui começa a diferença em relação aos 10 milhões de portugueses jogadores.
Ao contrário da senhora do telejornal que, quando inquirida sobre o destino dos milhões, respondeu prosaicamente que montava um café na terra, Mark sonhou conhecer o espaço. E tornou-se no segundo turista espacial e no primeiro astronauta africano. As nossas ambições moldam os nossos sucessos.
Quando regressou da viagem a bordo da Soyuz TM-34, pensou como poderia dar de volta o que o Software Livre / Aberto (SL/A) lhe tinha potenciado na Thawte. Pretendia também fazer mais pelo continente africano.
Financiou então uma fundação, a Shuttleworth Foundation, que promove a educação em África.
Em 2004, a fundação criou a distribuição de Linux Ubuntu e contratou os melhores programadores SL/A para a desenvolverem.
Hoje, o Ubuntu é a distribuição – isto é, o ``sabor'' - de Linux mais utilizada nos desktops e planeia chegar aos servidores. África entrou no mapa do SL/A.
Num pequeno almoço, no centro de Paris, com o líder de uma das cinco maiores distribuições de Linux discutíamos sobre o fenómeno Ubuntu. Dizia-me ele que desde que o Ubuntu foi criado tem perdido quota de mercado nos Desktops mas que, ao mesmo tempo, o as qualidades do Linux como estação de trabalho têm melhorado significativamente. É verdade que um filantropo com um ``saco de dinheiro'' consegue inverter os modelos de concorrência, pelo menos, temporariamente. Mas no SL/A o que é feito a favor de uns, reverte para todos. Nada se perde, tudo se multiplica.
Subsecções
Seguinte: Caixa Mágica 11 - Acima: Ano de 2006 Anterior: [3.11.2006] Firefox 2.0 Vs Conteúdo Índice 2007-09-24
Esta obra está licenciada sob uma
Licença Creative Commons.
© 2007 Paulo Trezentos | Design by Andreas Viklund